domingo, 31 de março de 2013

Cecílio Sá: entrevista para o Imparcial em 1999







GRUPO TEATRAL RECREATIVO AMADOR DO MARANHÃO – GRUTRAM



Mais um grupo teatral criado pelo incansável  dramaturgo e encenador maranhense Cecílio Sá.

1971 – O Mártir do Calvário de Eduardo Garrido 

1979 – O Natal no Sertão de Bibi Geraldino

            Natal de Jesus (Pastoral) de Cecílio Sá e Francisco Costa

            Paixão de Cristo – de Cecílio Sá e Francisco Costa (adaptação)

1980 – O Rei dos Judeus de Francisco Costa (adaptação)

1981 – O Rabi de Nazaré de Francisco Costa e Cecílio Sá.

Fonte:
Leite, Aldo. Memória do Teatro Maranhense. São Luís: EdFunc, 2007.

Sá, Lenita de. No palco a paixão de Cecílio Sá: 50 anos de teatro. São Luís: Legenda 1988.

SECMA. Memórias de Velhos. São Luís, 1997.


Grupo Teatral Renascença

Carlo Naya. Ecce Homo.


Cecílio Sá e Francisco Costa fundam em 1958, o Grupo Teatral Renascença que funciona até o ano de 1966, mantendo as encenações da Paixão de Cristo e outros repertórios de acordo com a ocasião.
1958 – O Milagre de Nossa Senhora de Fátima de Cecílio Sá e Francisco Costa

1959 – O Mártir do Calvário de Eduardo Garrido

1960 – Um momento na vida de Fernando Moreira

1961 – O Homem que voltou do passado de Carlos Alberto Minuto

1962 – Julgai-me senhores de Sandoval Wanderley

           O Rei dos Judeus de Francisco Costa

1963 – Chuvas de Verão de Luís Iglesias

1966 – O Rabi de Nazaré de Francisco Costa e Cecílio Sá

Nesse ínterim Cecílio Sá monta o Mártir do Calvário em vários bairros de São Luís.

Fonte:
Leite, Aldo. Memória do Teatro Maranhense. São Luís: EdFunc, 2007.

Sá, Lenita de. No palco a paixão de Cecílio Sá: 50 anos de teatro. São Luís: Legenda 1988.

SECMA. Memórias de Velhos. São Luís, 1997.

Grupo Teatral Artur Azevedo

Guido Reni. Ecce Homo. 1640.


De 1953 a 1955, Cecílio Sá torna-se diretor, com Mauro e Jandir Monteiro, do Grupo Teatral Arthur Azevedo formado por estudantes.

1953 – O Testa de Ferro de Raimundo Magalhães Jr.

           A Vida em três andares de Humberto Cunha

1954 – Lady Godiva de Guilherme de Figueiredo

1955 – Amor por Anexins de Arthur Azevedo


Fonte:
Leite, Aldo. Memória do Teatro Maranhense. São Luís: EdFunc, 2007.

Sá, Lenita de. No palco a paixão de Cecílio Sá: 50 anos de teatro. São Luís: Legenda 1988.

SECMA. Memórias de Velhos. São Luís, 1997.

A Paixão e o Teatro de Cecílio Sá


Ester Marques

(Mestra em Comunicação e Cultura pela Universidade de Brasília (UnB))


"O que mais me emociona no teatro é quando um ator consegue arrancar lágrimas de um espectador. Fazer rir é muito fácil, mas fazer chorar exige do ator e do espectador uma relação de cumplicidade que ninguém quebra"...
Cecílio Sá

"O teatro é o supra-sumo da arte; é a arte maior, depois da música e da pintura, porque força a expressão máxima do sujeito, que é o que define a sua sensibilidade, que provoca o choro, que desperta a alegria"
Cecílio Sá

A inauguração do Memorial Cecílio Sá, aberto ao público no dia 20 de julho deste ano, com a participação de familiares, representantes do poder público, artistas, jornalistas e pessoas da comunidade, simbolizou mais uma etapa do trabalho de uma vida dedicada ao teatro popular maranhense. Pensado e organizado pessoalmente por Cecílio Sá, o memorial expressa o conjunto da obra que foi desenvolvida em 70 anos de carreira, através da realização de peças religiosas, comédias, dramas e paródias. O memorial, localizado à rua Cândido Ribeiro, 911, na Fonte do Bispo, é composto por alas independentes, sendo a primeira dedicada à memória familiar e a segunda composta por móveis de estilo produzidos pelo marceneiro Cecílio, assim como dos adereços confeccionados para as peças de teatro.

A paixão pelo teatro começou cedo, aos 17 ou 18 anos, quase por acaso. Um acaso bem vindo para Cecílio Sá (Este texto é resultado de uma releitura dos livros Memórias de Velhos: uma contribuição à memória oral da cultura popular maranhense (1997); No palco a paixão Cecílio Sá: 50 anos de teatro (1988) e depoimentos dados pelo próprio autor.), fruto do gosto pelo cinema mudo, pelas comédias do teatro São José, da Igreja do Carmo, e pelas operetas de teatro de Maria Lino e Vicente Celestino, que passavam regularmente pelo Maranhão na década de 30. É verdade que o seu gosto pela arte popular começa mais cedo, em 1919, quando vem de Alcântara (Fruto de uma família de 12 irmãos desmembrada desde a sua origem pela pobreza, Cecílio foi um dos últimos filhos de Armindo Freitas de Sá e de Raimunda Nogueira de Sá e já nasceu em Alcântara, em 01 de fevereiro de 1913, depois que o pai veio do Amazonas como seringueiro contratado pela empresa Alcobaça. Em São Luís, ele ficou aos cuidados da família de Gaudêncio Cunha, primeiro fotógrafo profissional do Maranhão e proprietário da Fotografia União.) para São Luís estudar na Escola de Aprendizes e Artífices (A Escola de Aprendizes e Artífices funcionou onde hoje está localizada a sede do Ministério da Agricultura. Nessa escola, as crianças carentes de São Luís aprendiam os ofícios de sapateiro, alfaiate, mecânico, ferreiro e músico, sob a responsabilidade de professores como Urbano Franco, Zoé Cerveira, Raimunda Cerveira, João Gualberto, Ambrósio Guimarães, Teófilo Marcelino de Moraes Rego, Espírito Santo, João Rios e o mestre Eduardo Marques. (Sá 1997:28)) do Diamante, para crianças carentes. Lá, estuda música nas horas vagas para comemorar o Centenário da Independência, em 1922, mas é o ensino do português e da pedagogia, pela manhã, e o ofício de marceneiro, à tarde, que o fazem sonhar com um futuro melhor.

De 1921 a 1926, Cecílio Sá aprende o ofício de marceneiro, mas a dificuldade de sobrevivência leva-o a abandonar a escola e a procurar trabalho numa oficina, onde apura o gosto e o estilo pelos móveis clássicos e pelos adereços que faz para o teatro. "Depois do trabalho, eu aproveitava as folgas para ir ao teatro com Artur Paixão de Araújo, que era porteiro do Arthur Azevedo e que era conhecido lá de casa. Eu sempre assistia as peças da varanda de cima porque os camarotes e as poltronas, que ficavam em baixo, eram para a elite. A varanda era o meu camarote e eu entrava de graça porque era amigo do porteiro", diz.

Enquanto o Brasil redefine os seus conceitos de cultura erudita e popular, resultado do movimento modernista de Anita Mafalti, Oswald e Mário de Andrade, efeito mais direto da Semana de Arte Moderna, o Maranhão desenvolve um movimento de teatro amador com peças encenadas pelos grupos Thália, Talma e pelo corpo cênico São José, considerados grupos de elite porque contavam com atores de categorias profissionais mais organizadas. A efervescência desse movimento contagia Cecílio da mesma forma que as manifestações populares - Pastoral, Festa do Divino, Bumba-meu-boi, Brincadeiras de Carnaval e Reisados -, que ele assiste no Largo de São Sebastião, próximo à Casa das Minas, ou no Largo da Madre Deus.

Assim é que, durante um encontro com os amigos Pedro Silva, José Cardoso, Lino Sousa e José Silva (Zé Igarapé), em 1931, Cecílio propõe a criação do Grupo de Teatro Ateniense, em homenagem às tradições culturais do Maranhão, cujas características principais era ser formado por pessoas de profissões mais modestas, como pescadores, marceneiros e tecelões, e também por não contar com o mecenato de ninguém, nem de nenhuma instituição. "O nosso teatro começou com uma brincadeira, mas depois virou mesmo obrigação. Naquela época, o teatro fazia parte do cotidiano das pessoas porque não havia outros meios de diversão como a televisão por exemplo", analisa Cecílio para ressaltar que fazer teatro amador equivalia a ir de casa em casa convidar os artistas, a vender os ingressos, a fazer todo o trabalho de direção, cenografia, iluminação e som. Criar um grupo de teatro equivalia a trabalhar com o novo em cada peça, com o inédito em cada personagem, com a improvisação de cada adereço, com a surpresa das cenas incompletas (Dentre as muitas histórias engraçadas contadas por Cecílio, uma é especialmente cômica. Durante a apresentação da peça O Mártir do Calvário, de Eduardo Garrido, com Raimundo Mendes, havia a cena de uma ceia que precisava de vinho. Cena pronta, cadê o vinho? Não havia vinho... Raimundo Mendes foi à casa dele e juntou numa garrafa todo tipo de água preta, de iodo a café, e trouxe para o palco. - Taqui o vinho! Quando o vinho foi chegando na mesa, eu dei a pancada e o pano abriu e o pessoal todo ali... Ah, desse pão comei, bebei... E na hora de bebei, ah rapaz! Quase todo mundo estava fazendo cara feia... Aí eu disse: - Meu Deus! O que está acontecendo? Eu fiquei naquele cativeiro, não sabia de nada. Aí o rapaz que fazia o Cristo saiu e disse: - Fecha o pano. Aí eu fechei o pano e disse: - O que foi? E o rapaz falou: Esse desgraçado veio dar iodo, pra gente, água de café, todo o diabo". (Velhos, 1997:52)), com o aplauso tão aguardado do público.

Criado o grupo, faltava o autor, o espaço e a peça certa para encenar. Foi então chamado Bibi Geraldino, pseudônimo de Benedito Amâncio de Sousa, autor já conhecido por suas brincadeiras de carnaval, para escrever a primeira peça denominada Natal no Sertão. O local escolhido foi a varanda da casa de Leandro Moraes - um incentivador da cultura popular maranhense -, em cujo espaço se apresentavam Festa do Divino, Bumba-meu-boi, São Gonçalo, Reisado, Quadrilhas e Danças do Coco. O palco, feito pelo próprio Cecílio, foi montado na varanda da casa com sarrafos, tábuas de caixote, tampas de mala, fundos de gaveta e coberto com fazendas, enquanto os artistas foram recrutados no próprio grupo e nas brincadeiras de carnaval. Pronto! Estava criado o teatro de canto de rua de Cecílio Sá, com sua natureza folclórico-religiosa, sua reverência pela dramaturgia cristã e sua ludicidade permanente, especificidades marcantes de uma obra que já faz parte da memória longa da cultura maranhense há 70 anos.
Teatro e Imaginário
O resultado desse trabalho surpreende pela criatividade e imaginação. Para Cecílio, arte é criar uma coisa na imaginação a partir de um simples objeto e depois torná-lo notável. Foi assim desde a primeira peça, dirigida um pouco por toda a equipe, mas coordenada principalmente pelo seu entusiasmo.
"Eu era o mais assanhado apesar de ser o menor (mais novo) da turma com 17, 18 anos. Mas era quem liderava o pessoal, nada era feito sem a minha presença. Eu fazia tudo, desde o primeiro prego até a última tábua. A gente fazia o palco de tampa de mala, de caixão de batata".
O ponto forte do teatro lúdico-popular de Cecílio primava pela estética visual e pela capacidade de adaptação de cada ator ao personagem e, isso era levado tão a sério que o grupo deixou de encenar uma peça sobre bruxas porque não conseguiu achar ninguém com as características adequadas em toda a ilha de São Luís.

A fórmula do sucesso era simples: boa interpretação, boa visualização e bons materiais, o que rendia, obviamente, bons espectadores. Assim foi desde o início. A varanda-palco da casa de Leandro não comportou o número de espectadores e o grupo teve que se mudar para a casa de Miguel Graciliano da Costa, na rua de São Pantaleão, em frente ao Beco das Minas, para encenar a segunda peça de Bibi Geraldino, Matutos em Belém, uma sátira-comédia sobre o pastor natalino. Outro sucesso com casa cheia e ingresso cobrado a dois mil réis. O entusiasmo do grupo e do seu autor principal desequilibram a relação harmoniosa que existia, até então, entre criador e criatura. "Bibi era um bocado sabido e muito vivo (inteligente) também. Ele escrevia, pintava, ensaiava e sabia ganhar dinheiro. Cobrava 25 mil réis por cada peça, além da participação que tinha sobre todo o movimento do teatro", lembra Cecílio para justificar a saída do autor para o grupo rival Minerva, após um desentendimento.

Sem autor preferido, o jeito foi buscar alternativas em outras moradias. O escolhido foi o português Eduardo Garrido e sua peça O Mártir do Calvário, encenada pela primeira vez em 2 de novembro de 1919, no Rio de Janeiro, no Teatro Santa Isabel, e reencenada por Cecílio em 1932, ao mesmo tempo em que Bibi Geraldino escrevia e encenava a peça o Rabi da Galiléia para dividir platéia, ingressos e preferência popular. Cecílio Sá foi à procura do ator Manoel Pinto da Costa, do extinto grupo Talma, para ajudar a encenar a peça que foi um sucesso estrondoso de público a tal ponto que, segundo conta Cecílio, a porta da casa foi arrancada, os espectadores brigavam por um ingresso, enquanto esperavam em filas imensas para entrar no teatro. Assim, em vez de um dia, a peça foi apresentada todos os dias da Semana Santa, tornando-se o principal sucesso de carreira e de bilheteria de Cecílio Sá (Conforme consta do livro No palco a paixão de Cecílio Sá: 50 anos de teatro, de Lenita Sá, o sucesso alcançado pela peça O Mártir do Calvário acabou acirrando a concorrência entre o grupo de Cecílio e os outros grupos existentes em São Luís. A maior era entre Cecílio e Raimundo Ramos (Filú), que trabalhou no grupo Ateniense por alguns anos representando o Cristo até que saiu para criar o seu próprio grupo e apresentar suas peças no teatro da igreja de São Pantaleão. Ambos não mediam esforços no sentido de suplantar o outro em espionagem, luxo e platéia. «O vitorioso seria aquele que, durante a Semana Santa, desse mais sessões, com cenários mais bonitos e roupagem mais rica. Levavam em conta o melhor Cristo, o melhor Pilatos, a melhor Maria, a melhor Madalena. Os comentários duravam semanas» (Sá 1988:26). Esse mesmo grupo acabou montando as peças Moleque de Pensão; Coração quando começa a alvorecer e Menino-Rei, de autoria do ator Manoel Pinto da Costa, até que se desfez e Cecílio foi viver em Caxias.

No entanto, o destino de Cecílio estava traçado. Na década de 40, em Caxias, voltou a encenar O Mártir do Calvário, no teatro Phoenix, com 16 atores e 12 músicos, cujo sucesso fez com que decidisse voltar para São Luís e reencenasse Matutos em Belém. O sucesso mediano dessa encenação fez com que resolvesse reapresentar o Mártir do Calvário em São Luís, dos bairros do Tirirical ao Monte Castelo, da Cohab ao João Paulo, do Lira ao Anil, de Rosário ao São Francisco, em teatros, cinemas, escolas, casas e portas de rua, onde fosse possível montar o palco, organizar os cenários e recrutar os atores. "Cecílio tinha uma espécie de caderno manuscrito e, diante da sua surdez, repetia as falas e as decorávamos. E, como já era, de certa forma, tradição, todo mundo trazia mais ou menos de cabeça a estrutura rimada, além de ir aprendendo um do outro... A maneira dele dirigir era conduzir o ator à repetição dos gestos, uma coisa muito engraçada se se olhar pelo prisma da direção convencional, quer dizer, o diretor estimulava o ator a repetir os gestos previamente ensaiados pelo primeiro", avalia Tácito Borralho que trabalhou com Cecílio em várias montagens.

A compulsão de dirigir era maior do que Cecílio e não havia dificuldades que o fizessem desistir do teatro, pouco ou nada importando a formação profissional, ideológica, cultural ou teatral dos atores. "O bom da dramaturgia é que mesmo quando não tem quem ajude, quando não há dinheiro, quando os atores não possuem formação, a paixão de fazer o teatro acontecer é maior. Quem quer fazer, faz", define o autor para quem o mais importante do teatro é ver gente na platéia, porque se isso acontece é porque o trabalho agradou. Assim, a década de 50 marca o início de uma produção que nunca mais pararia. Em 1953, Cecílio Sá tornou-se diretor do Grupo Teatral Artur Azevedo, constituído por Mauro e Jandir Monteiro. Com esse grupo, Cecílio produziu as peças O Testa de Ferro, de Raimundo Magalhães Júnior; Lady Godiva, de Guilherme de Figueiredo; A vida tem três andares, de Humberto Cunha e Amor por Anexins, de Arthur Azevedo.

Desfeito o grupo, Cecílio Sá partiu à procura de um novo parceiro e o encontrou em Francisco Costa, que se tornou seu compadre. O primeiro trabalho conjunto, Milagres de Nossa Senhora de Fátima, escrito por causa da passagem da Santa em São Luís, revelou-se um sucesso monumental em função dos truques cênicos inventados por Cecílio, que se esmerou na organização do som, da iluminação e do cenário. O espetáculo foi apresentado 13 vezes no teatro da igreja de São Pantaleão, no Cine Monte Castelo e no Teatro Arthur Azevedo, estimulando a criação de um novo grupo amador: o Renascença. De 1958 a 1966, o grupo apresentou, além da peça já citada, O Mártir do Calvário, de Eduardo Garrido; Um momento na vida, de Fernando Moreira; O homem que voltou do passado, de Carlos Alberto Minuto; Julgai-me senhores, de Sandoval Wanderley; O Rei dos Judeus, de Francisco Costa; Chuvas de Verão, de Luís Iglesias e O Rabi de Nazaré, de Francisco Costa e Cecílio Sá.

Mais uma vez só, Cecílio passou a recrutar gente das comunidades, criando, em 1977, o GRUTAM - Grupo Teatro Recreativo Amador do Maranhão, e reencenando peças como Natal no Sertão, Natal de Jesus, Paixão de Cristo, O Mártir do Calvário, O Rei dos Judeus e O Rabi de Nazaré. De lá para cá, continuou fazendo pequenas peças e colaborando com montagens coletivas a exemplo de O Mártir do Calvário feita pelo Laborarte em 1973. A sua experiência de martirólogo, como alguns o denominam, influenciou gerações de atores e autores do porte de Lima Filho, Nunes Falcão, Gervásio Lima, Bibi Geraldino, Lauro Guaianaz, José Cardoso, Felipe Rodrigues da Silva, Pedro Silva, Raimundo Ramos, Carlos Cárdenas, Benevenuto Teixeira, Pedro Silva, Dalmir Pereira, Wilson Barros, Iracy Silva, Ivonete Sousa, Jandir Monteiro, Tácito Borralho, Douglas Cunha, Aldo Leite, Mariléa Ferreira, Reinaldo Faray, Regina Telles, Jorge Botão, Carlos Correa, Ubiratan Teixeira, Lili Sá e Ester Marques a amar o teatro como parte do mundo simbólico da vida.

Aos 88 anos, lúcido, atencioso e atento a todos os gestos e a todas as perguntas, Cecílio Sá continua à procura de novos parceiros para viver eternamente a sua paixão: pela vida, pelas pessoas, pelo teatro, pelo amor. O único requisito exigido pelo autor é não ser profissional de coisa nenhuma a não ser da vida, é amar o teatro acima de todas as artes, é saber apaixonar-se sem medir consequências. Alguém se habilita?

Grupo Atheniense


O Grupo Atheniense foi fundado em 1931, por Cecílio Sá, Pedro Silva, José Cardoso, Uno Sousa, José Silva (mais conhecido por Zé Igarapé) e Bibi Geraldino, após assistirem a uma apresentação de bumba-meu-boi. Em reunião como não tinham um texto para montar, solicitam a Bibi Geraldino, que era compositor e autor teatral, a encomenda de um texto. Bibi Geraldino escreve dois textos “Natal no Sertão” e “Matutos em Belém”, sendo o primeiro o espetáculo de estréia do grupo.

Durante a Semana Santa de 1932, apresentam “O Mártir do Calvário” de Eduardo Garrido em igrejas, teatros, cinemas e galpões, tornando-se tradição durante a Semana Santa, sempre com elenco renovado captado nos bairros onde era encenado. Aos poucos por divergências internas e compromissos profissionais de seus integrantes, o Grupo Atheniense foi se desarticulando, até a completa extinção.

Entre os anos de 1934 a 1940, Cecílio Sá encena Paixão de Cristo na cidade de Caxias no teatro Phoenix com 16 atores e 12 músicos.

1931 – Natal no Sertão de Bibi Geraldino

1932 – Matutos de Belém de Bibi Geraldino

            Moleque da Pensão de Pinto da Costa

            Menino Rei (Pastoral) de Pinto da Costa

           O Mártir do Calvário de Eduardo Garrido

Fonte: 
Leite, Aldo. Memória do Teatro Maranhense. São Luís: EdFunc, 2007.

Sá, Lenita. No palco a paixão de Cecílio Sá: 50 anos de teatro. São Luís, 1988.

SECMA. Memórias de Velhos. São Luís, 1997.

sábado, 30 de março de 2013

Centro de Artes Cênicas do Maranhão


Centro de Artes Cênicas do Maranhão/CACEM, foi criado em 1990 por iniciativa da Companhia Oficina de Teatro/COTEATRO,  com o objetivo de formar profissionais das áreas da Artes Cênicas e difundir ações e  informações sobre o teatro e a dança. Em 2001 por decreto governamental o CACEM, passa a formar atores em nível técnico/profissional reconhecido pelo CEE/MA.

Órgão da Secretaria de Estado da Cultura, o CACEM, além do Curso de Habilitação Profissional – Ator (em cinco períodos com 1.430h/a, incluindo estágio/montagem de espetáculo), contempla o público em geral com uma Biblioteca Bibi Geraldino (acervo de 736 títulos) e um Memorial de Artes Cênicas (com acervo de fitas K-7, fotografias, programas, entre outros impressos) e duas ações cênicas: o Festival Maranhense de Teatro Estudantil (em sua 18ª edição, uma homenagem ao ator, diretor e professor maranhense Cosme Júnior); e o Festival Maranhão de Teatro congregando grupos e companhias de teatro do Estado do Maranhão em sua nona edição, troféu Reynaldo Faray, ator, bailarino e professor de dança e teatro maranhense.

O CACEM fica localizado na Rua de Santo Antonio, nº 166, Centro. Atendimento ao público de segunda a sexta-feira das 13 às 22h. Fone: (98) 32189948

Fonte: Folder de divulgação da escola, 2012.

Foto: Renato Pereira

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Teatro Municipal da Cidade de São Luís do Maranhão

 Reformado na gestão prefeito João Castelo o antigo prédio do cinema Roxy, foi transformado no Cineteatro Municipal da Cidade de São Luís.

A reforma realizada no prédio preservou a fachada original, em estilo arte decor e o nome  do cinema estampado na fachada. Internamente a parte térrea foi acrescida de camarins, banheiros, foyer e espaço para café, ambos com acessibilidade a pessoas com deficiência física. 
O piso em ladrilho hidráulico é uma replica do original. para café, ambos com acessibilidade a pessoas com deficiência física. O piso em ladrilho hidráulico é uma replica do original. 



No segundo pavimento compõe-se de: sala administrativa, copa, cozinha, sistema de iluminação com 18m² e cabine de som e projeção de áudio e vídeo multimídia.

O antigo palco recebeu madeira freijó no piso e 52m² de largura. A plateia possui 265 cadeiras numeradas e revestidas em tecido.


O palco recebe o nome do teatrólogo e bailarino maranhense falecido Reynaldo Faray.


Imagens: Renato Pereira

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Dom Sebastião: 400 anos depois




Reconta o mito do rei desaparecido, envolvendo aspectos religiosos e musicais da cultura popular maranhense.



Realizado pela Coteatro, o espetáculo estabelece uma relação entre práticas católicas populares, religiosidade afro-maranhense (tambor de mina), religiosidade indígena (cura de maracá) e o sincretismo da festa do Divino Espírito Santo, explodindo no sebastianismo mágico e messiânico do litoral maranhense. 



Elenco:
Luan Paiva, Dimingos Tourinho, Lúcia Gato, Magno Abreu, Rosana Fernandes, Abel Lopes, Waldemir Nascimento, Raimundo Reis, Raul Marques, Di Ramalho, Davison Dias, Diêgo Garcês.



Ficha Técnica:
Criação e Direção: Tácito Borralho
Direção de Arte: João Ewerton
Direção Técnica: Edson Amorim
Direção Musical: Wellington Reis
Iluminotécnico: Charles da Silva
Sonoplastia: Sidney Castro e Tatiana Chaves
Maquiador: John Lennon
Coreógrafos: Vanessa Rodrigues, Fernando César Jr. E Maria da Paz Figueiredo


Chefes de Cenotécnica: Argentino Paixão e Wilton Gonçalves
Cenotécnicos: Josué Lobato, José de Ribamar Araújo, Valdeir Limaverde e Wilson Palmeira
Chefe de Contrarregras: Claudinei Rodrigues
Contrarregras: Sandro Rogério, Max Coelho, Dário Brandão, Luís Carlos Abreu e Marcelo Melo
Assistentes de Figurino: Ozila Maria da Luz, Dirlene Ribeiro e Nete
Costureiras: Mundinha Freitas, Tereza, Dadê, Do Carmo, Cotinha, Odara, Sílvia e Paula
Camareiras: Deuserina Ribeiro e Solange Castro Reis
Segurança: Sélvio Pereira
Direitos Autorais: Josias Sobrinho, Sergio Habibe e Wellington Reis

Imagens: Renato Pereira
Fonte: Programa do espetáculo

Laborarte, 40 anos

 Em 1012, o Laborarte completou 40 primaveras, com espetaulos, show's e exposições.
 Te Segura no Meu Fofão, figurino.
 Era uma Vez uma Ilha, bonecos.
 As cores e os tons de Wagner Alhaderf
 Uma Incelença por Nosso Senhor, pietá.
 Te Gruda no Meu Fofão, urso.
Troféus.
Dona Teté na paleta de Telma Lopes

Imagens: Renato Pereira